Tem dias que não servem de nada, não é mesmo?
Tem dias em que sou obrigado a registrar cada ocorrência na delegacia,
que a minha vontade é simplesmente desistir.
Tem dias em que o trânsito está tão ruim
que a minha vontade é largar o carro de lado
e voltar para casa… a pé.
Descalço.
Em silêncio.
Refletindo sobre escolhas de vida.
Tem dias em que o Atlético me faz tanta raiva
que a minha vontade é pegar minha arma de fogo
e sentar o dedo, ao estilo Capitão Nascimento.
(Obviamente, só na imaginação. Antes que alguém ligue para a corregedoria.)
Tem dias que…
O trabalho não rende,
o programa do fim de semana é cancelado,
o músculo acorda chato pra caramba,
e você nem consegue ir à academia,
mas sente culpa como se tivesse cometido um crime hediondo.
É… tem dias que é foda.
Apesar de tudo, tenho aprendido que
viver é uma arte.
A arte de aproveitar cada segundo das coisas boas,
porque, para cada segundo bom,
é bem provável que existam horas de coisas ruins,geralmente concentradas na mesma semana.
A arte de ignorar aquilo que não te faz bem,
sem o menor pudor ou receio.
Ignorar mesmo.
Como quem ignora grupo de família no WhatsApp.
A arte de pensar apenas que, após as 18h30,
você estará em casa, são e salvo,
protegido do mundo hostil e, principalmente, do trânsito e de ocorrências inúteis que o delegado vai sobrestar.
É um deleite chegar em casa…
Cozinhar ovos mexidos com queijo e orégano.
Correr 10 quilômetros e ser inundado de dopamina.
Receber uma lambida do Caramelo, do Lemmy ou do Teddy,
Ler páginas e páginas do livro escolhido
e fingir que o celular não existe.
E nada disso custa dinheiro.
Custa apenas a vontade de aproveitar
o antagonismo dos problemas diários.
Estou aprendendo…